Spas e Pousadas: Lugar de descanso, equilíbrio e tranquilidade

Mente Quieta, espinha ereta,

coração tranqüilo



O ofurô é uma das terapias oferecidas pelo Hotel Ponto de Luz, em Joanópolis

Em belos spas e pousadas pelo estado, a ordem é relaxar, desestressar, harmonizar com massagens, banhos, energização e até leituras de I Ching

O nome da terapia me chamou a atenção logo que bati o olho: alquimia do coração. A descrição dizia tratar-se de "uma sessão de meditação que proporciona a oportunidade de integração entre o lado sensitivo e o lado racional baseada no sentimento de amor. Ajuda a transformar questões que confundem o pensamento e bloqueiam a ação, resgatando a confiança, a integridade e a conexão com a nossa essência". Uau! Liguei para o Hotel Ponto de Luz (Estrada do Can-Can, acesso pelo km 9 da estrada para São Francisco Xavier, Joanópolis, 11/4539-9358, pontodeluz.com.br; diárias de R$ 264 a R$ 478,50, com pensão completa; Cc: V; Cd: V) toda confiante: era sexta-feira à tarde, e eu queria ir no dia seguinte. Não tinham mais horário. Precisei me contentar com uma energização e com a terapia craniossacral (saiba o que são esses e outros tratamentos no glossário) incluída no pacote.


Quarto do Ponto de Luz



A idéia era passar o dia no spa holístico em Joanópolis. Não me considero nem crente, nem descrente em terapias alternativas. Sou uma "agnóstica" no tema. Saio de São Paulo cedo, pela Rodovia Fernão Dias, até quase a divisa com Minas Gerais. Lá, é preciso entrar numa estrada que leva até a pequena cidade, que gosta de se afirmar como "a terra do lobisomem". Até acho possível: ela fica tão escondida no meio das montanhas que poderia mesmo ser refúgio desses seres. Do centro, pega-se outra estradinha, esta de terra em boa parte, com cascalho, subida... Seus 19 quilômetros já devem fazer parte da terapia. Verdade que o serviço de van saindo de São Paulo é uma mão na roda; prefira.


Varanda do Viktoria Garten - Foto: Ricardo Benichio


A sede de ar rústico está encravada numa montanha. Dali, avistam-se os morros no lado oposto do vale e ouve-se o barulho das pequenas cachoeiras no rio lá embaixo. É um lugar bonito, tranqüilo e sem poluição. Logo entendo por que não havia mais vaga para a alquimia do coração: o spa está cheio. Perdi a caminhada matinal que faz parte do pacote do day spa, junto com o almoço, o lanche da tarde, uma atividade corporal e um atendimento (massagem, watsu, energização, terapia craniossacral, beamer, ofurô ou leitura de oráculo). Tudo por 200 reais.

Tomo um suco de inhame com laranja e sou chamada para meu atendimento, pago à parte (R$ 130). A terapia craniossacral é uma massagem suave na cabeça e no pescoço. Tiro o sapato, entro na sala e me deito na maca. A terapeuta pergunta: "Qual parte do seu corpo está mais relaxada?" Eu respondo: "Os olhos". Hã? Nem eu entendo por que disse isso. Mas, enfim, meus olhos têm de cumprir o papel naquele momento. Deles, o relaxamento precisa se expandir para todo o meu corpo. E aí começa a massagem, quase imperceptível. Zzzzzzz... Opa, preciso ficar acordada. A terapeuta toca o meu crânio com tanta leveza que é difícil acreditar que vai funcionar. Zzzzzzz... Bem complicado me manter alerta. Afinal, esse é o propósito. Depois da sessão, realmente sinto o rosto mais suave.


Viktoria Garten: compressas, banhos e 17 tipos de massagem - Foto: divulgação

Calço meu tênis e corro para a atividade corporal. No caso, uma vivência. O que será isso? Quando chego, as pessoas já estão dispostas em círculo, sentadas em almofadas. "Vocês conhecem a garça-real da Mongólia?", diz a bem-humorada terapeuta. "Vocês precisam ficar igual a ela, com dignidade. E não como o ouriço do Tocantins, todo encolhido." Ela faz com que todo mundo se alongue. Depois é a vez de danças de roda. Para muitos fica difícil coordenar esquerda e direita. No final é preciso abraçar a todos, algo um pouco constrangedor.

No almoço, nada de carne vermelha. Mas a refeição, servida em bufê, é saborosa: vegetais cultivados sem agrotóxicos na propriedade, arroz integral, suflê de cebola, frango marroquino. Logo está na hora do meu segundo atendimento: a energização. A terapeuta me pergunta por quê. "Sinto-me esgotada", digo. Ela sugere um misto de beamer, reiki e energização dos chacras. Nunca tinha ouvido falar de beamer. Ela me pede para eu escolher, pela intuição, entre os vidrinhos de uma caixa. Em cada um há dois líquidos coloridos. "Escolho" rosa com rosa. "Este é para quem está precisando se aceitar melhor, não se cobrar tanto. Faz sentido?", pergunta ela. É, até que faz... O frasquinho é encaixado numa lanterna, e a luz emitida, agora colorida, percorre olhos, rosto, corpo. Depois, deitada, vem a energização dos chacras. Sinto um calorzinho onde ela encosta a mão. E então a pressão perto dos olhos me dá um... Zzzzzzz... É duro resistir, tão relaxada eu estou. Mas não percebo nenhum impulso de energia, não.

Terminada a sessão, não espero o lanche. Duas horas e meia de estrada me aguardam, e o caminho de terra é complicado. O day spa é um pouco puxado para quem mora em São Paulo. Mas dá para fazer o overnight spa (R$ 585,65 no apartamento single e R$ 506,45 no duplo, por pessoa - existem outras opções de programa). Cada atendimento, além do incluído no pacote, é pago à parte, e os preços variam (de R$ 85 a R$ 280). Há desde opções clássicas como massagens ou terapia de pedras quentes até leitura energética, tarô e I Ching.


Por: Mariane Morisawa | Foto: Heudes Régis
Matéria publicada na Revista Viagem e Turismo

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