Black is Beautiful

  • Black is Beautiful

  • Por Claudinete Marques
    O preto não é mais o básico. Exuberante ou provocativo, ele simboliza luxo e poder. Trazendo uma referência do universo gótico, a moda capturou o preto cheio de detalhes, caprichos e ousadia sexy. É cor da temporada, do fetiche. Esse clima pede calçados de saltos altos e bicos petulantes. Com tachas, amarrações, fivelas e glamour em cada passo.


  • Ausência de cor, abundância de sentimentos
    Os reservados preferem-no pela discrição. Os modernos pela imagem clean. Os punks, darks e góticos, pela atitude. Os clássicos, pela elegância. O preto é tão versátil que agrada vários tipos de pessoas, cada qual com seu estilo próprio. Há muitas maneiras de se entender a ausência de cor: introspecção, timidez, revolta, praticidade, luto, elegância, dor, inserção em grupos, etc. Mas, no mundo da moda, as leituras são diversas, e as opções, reflexo do livre arbítrio. Se é para coisa ficar preta, que seja, então, com estilo.

    Ao longo dos tempos, o preto teve sua simbologia alterada. Na época em que monges viviam nas centenárias igrejas que se espalham pelo Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, a cor era comunente usada por religiosos, representando espiritualidade.

    De todos os países europeus, o que começou a inserir o negro nos hábitos foi a Espanha, durante o Renascimento. O rei Felipi, o bom, tinha um gosto especial pelo preto e, depois da viuvez, não o tirou nunca mais. No século XIX, o preto volta na Era Vitoriana, quando a Rainha Vitória, conhecida por sua sisudez, também adotou para o resto da vida o preto depois de viúva.

    Só no século XX, depois da 1ª Guerra Mundial, que o uso de cores se instituiu e o preto ficou de escanteio. E a característica de luto foi rompida por um movimento artístico da década de 80. A ausência de cor volta à tona com “pretos coloridos, ou seja, azul marinho, marrom, verde, todos quase pretos. Assim, as pessoas assimilaram a cor, aliada à idéia de que emagrecia.

    Dois aspectos do passado que devem ser levados em conta para entender as tendências atuais. Da Espanha, é interessante notar que a vestimenta negra renderá uma influência forte da moda masculina inglesa. E, a parte da Inglaterra, que se torna a pátria dos homens bem trajados, a elegância da constância cromática baseada nas cores escuras. Preto, azul marinho e cinza marcam o conceito masculino do discreto, do não aparecer, do não chamar a atenção. Tão forte é este conceito que, até hoje, é difícil ver um rapaz jovem, ao adquirir seu primeiro terno, escolher outra cor senão o preto.

  • Pretinho básico:

  • Na década de 20, a estilista Gabrielle Coco Chanel, criou a expressão ‘la petit robe noir', o pretinho básico, naquele momento, a moda feminina estava sendo modernizada. Chanel causou uma verdadeira revolução funcional, simples e moderna que, por ser despojada, é herança da moda masculina.Enfim, no sobe e desce das tendências, o preto vive um fluxo contínuo.

    Ser moderno nunca deixará de ser black.



  • Fonte: Planetanews

    Claudinete Marques é pesquisadora de moda e tendências de mercado feminino.

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