Entrevista

Luis Fiod, da Mint, fala sobre construção de marca



Criar roupas é uma coisa. Criar uma marca é outra bem diferente. Quem garante são os sócios da Mint, agência especializada em posicionar/reformular marcas no mercado de moda. A imagem, o produto oferecido por Luis Fiod, Vanda Jacintho e Zeca Ziembik, é virtual. Mas o resultado do trabalho é bem real: pode ir desde a concepção de uma coleção, uma campanha ou um desfile, até o formato e as cores da sacola de compras da loja.

A lista de clientes é grande: Priscilla Darolt, Forum Lingerie, Thelure, Raia de Goeye, Karlla Girotto, Zion, MOB, Saad, Totem e Juliana Jabour usam ou já usaram os serviços da trupe, cujo último feito é a campanha de inverno 2008 da Alcaçuz, que você vê aqui com exclusividade.

Nela, a top gaúcha Jeisa Chiminazzo foi clicada por Henrique Gendre no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Detalhe: o fundo são painéis gigantes de fotos que o próprio Henrique fez na Islândia. Quer saber mais sobre como funciona esse trabalho cada vez mais comum (e necessário) no Brasil? Leia a entrevista a seguir, com Luis Fiod.


O que é reformular uma marca?
É observar o seu DNA e extrair o que a marca tem de melhor pra dar ao seu consumidor – e não fazer algo totalmente diferente do que já vinha sendo feito. É estabelecer uma comunicação com a imagem que se quer transpor.

O que as marcas pedem quando procuram vocês?
Varia de caso para caso. Há marcas que têm sucesso comercial, mas não possuem uma imagem muito forte. Há outras que tiveram um passado glorioso, mas que perderam um pouco do prestígio e querem recuperá-lo. E há também o caso de quem tem muito talento, mas não sabe transformá-lo em marca. Esse foi o caso da Raia de Goeye.

Como funciona o trabalho na prática?
No caso da Alcaçuz, fazemos todo o trabalho de comunicação. Acompanhamos o andamento da coleção, dando opiniões que vão desde a cartela de cores até o comprimento de um vestido. Depois pesquisamos locação, modelo, beleza. O esqueleto do trabalho é sempre o mesmo para todas as marcas, o que muda é o conceito: a mulher da Alcaçuz é completamente diferente da mulher da Animale, por exemplo. Elas são diferentes no corpo, na personalidade, elas não namorariam o mesmo tipo de homem, não carregam as mesmas coisas na bolsa.

Quais dificuldades vocês já enfrentaram no processo de criação?
O trabalho de criação é ilimitado. A maior dificuldade é justamente passar por todo esse processo. Você já tem uma idéia na cabeça de como será todo o trabalho mas, até o final, aparecem muitos problemas. É que são muitas pessoas envolvidas, e por um longo período.

Como vocês conferem se o trabalho deu certo?
O termômetro são as pessoas envolvidas no processo. Se todos estiverem satisfeitos, o trabalho foi bem feito. Um outro momento seria o resultado que vem das ruas. Desde os jornalistas que avaliam a moda até o consumidor final. A marca também percebe a evolução, porque de repente o atacado vai melhor ou alguém recebe um e-mail elogioso.

Um dos cases de maior sucesso de vocês é a grife carioca Animale, certo?
Tenho o maior amor pela Animale. A marca tem profissionais excelentes e recebe tudo muito bem. Não há barreiras, porque sempre colocamos a marca em primeiro plano. Desde o início, achávamos que ela precisava de sofisticação, porque a mulher da grife quer ser sensual, mas ela também quer ser sofisticada, ter uma roupa com um bom acabamento.


Fonte: Chic News

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